
Cento e vinte e cinco milhões, novecentos e treze mil, quatrocentos e setenta e nove. Este é o número de eleitores espalhados ao longo dessa terra tropical que chamamos de Brasil. Segundo nosso exímio presidente, que viajou o mundo todo às nossas custas em sua próspera gestão, o Brasil é um país emergente, que tem uma forte economia, uma população beneficiada com a educação, livre de problemas dos “países subdesenvolvidos” como a subnutrição e miséria. Em síntese, para Luís Inácio Lula da Silva (que, engraçadamente, não tem qualificação para ser catador de lixo mas pode concorrer ao cargo de Presidente da República) acredita firmemente que vivemos em um país alegre que beira a perfeição desejada.
Ora, só levam dois neurônios e um par de olhos para perceber que a fantasia de Lula não passa disso. Em rede nacional foram expostos políticos de corrupção inigualável, envolvidos em incontáveis escândalos que eu nem consegui acompanhar. É mensalão daqui, dossiês dali, longas declarações que podem ser sintetizadas em “Eu não sabia de nada – a parede entre os nossos escritórios não é tão fina!” e uma suposta insatisfação popular generalizada.
A maioria da população trabalha árduamente de segunda à segunda, luta para colocar comida todos os dias em sua mesa e no final do mês ainda paga impostos absurdos. É uma camada pobre, sofrida, excluída, não-beneficiada. Mas aí chegam as eleições presidenciais e sempre aparece aquele homem que tira fotos com crianças desnutridas, diz que já passou por todos os problemas imagináveis – incluindo desgraças como a fome, enchente, desemprego e o diabo à quatro – e promete que tudo vai melhorar, vai ficar uma maravilha. E então, os pobres que têm o Bolsa Escola, vão todos os dias à aula, têm uma educação social, sorriem lisonjeados e balançam a cabeça em efusiva aprovação. É assim que gente como o Lula é eleita.
Encaremos: nós vivemos em um país que era explorado pela Europa antes mesmo de oficializar-se, que é conhecido mundialmente por causa de samba e mulheres, que reelegeu Fernando Henrique Cardoso, que fez senador um homem que já sofreu um impeachment presidencial e que muito recentemente deu a um ex-sindicalista reformado uma nova oportunidade.
Ele já foi pobre, já esteve lado a lado com revoltados, já protestou com o proletariado, é o queridinho daqueles que hoje são o que ele outrora foi.
Sem eufemismos, a maioria da nossa população é burra. A maioria dos brasileiros não tem estudo, não é crítico, e comumente troca o seu voto – que vai refletir nos próximos quatro anos – por uma cesta básica que vai durar por um mês, no máximo. E é exatamente essa maioria que define as eleições!
É assim que nosso “novo” presidente não tem nada de novo – e nem vai ter. O Lula que governou de 2002 até 2006 é o mesmo Lula que vai cotinuar governando até 2010. Não sou Nostradamus, mas garanto que vamos ver no Jornal Nacional o Lula fazendo visitas na China, na Índia, no Alasca e no quinto dos infernos, assim como ouviremos dele quando ele fraturar a perna, apertar a mão de presidentes estrangeiros ou carregar uma criancinha no colo. E não esqueça de adicionar aí novos escândalos políticos dos quais ele não vai saber de nada!
Com a força do povo, é Lula de novo. E também graças à essa força agora eu tenho certeza: o Brasil não tem mais jeito, e vai continuar pedindo bis a governos medíocres e rejeitando toda e qualquer oportunidade de mudança que se apresente.
Dizem por aí que cada povo tem o governo que merece. Parabéns pela força, povo do Brasil!
E que na próxima encarnação eu nasça em outro lugar.
Escrito por Phillipe Marcell
Escrito por Phillipe Marcell
Escrito por Phillipe Marcell 

