A dúvida cruel

Setembro 5, 2006

Inevitavelmente, um dia cada pessoa começa a ter dúvidas e se questiona sobre as mais variadas coisas: sua posição quanto a Deus, sua sexualidade (!), de onde veio, para onde vai… e, por fim, um dia virá a mais cruel das dúvidas para assolar-lhe, trazendo consigo o dilema fatal – e não estou falando sobre “ser ou não ser” ou qualquer uma das viagens shakesperianas -: que curso prestar?

 

Ainda estou no primeiro ano e já vem essa dúvida me cutucar. Ainda que eu ainda esteja dois anos longe do fatídico dia do vestibular, já me vem uma lista desesperadora, que tem como título “Cursos – vagas” e me faz assinalar assim, de cara, aquilo que vai me atormentar por, no mínimo, 4 longos anos. Será que um dia eu vou ter total certeza do que eu realmente quero fazer? Quase metade desses cursos eu nem sei para que serve (alguém poderia me dizer o que diabos se faz em Biblioteconomia? Aprendem-se as formas adequadas de mandar as pessoas calarem a boca nas bibliotecas?), e a outra metade me parece no mínimo interessante. No entanto, aquela coisa mais importante eu não sei: que curso… que curso eu escolherei para aprender por tantos anos? E se eu não gostar? Que crueldade!

Já me interessei por Química, Direito e Psicologia, mas já não quero prestar nenhum desses – só resta o fascínio pela tal química, mas todos dizem que quando eu chegar no segundo ano isso passa rapidinho. Ciências da Computação parece-me promissor – é para onde o futuro caminha; cada programa custa uma média de R$2.000 e aprender linguagens de programação não é um bicho de sete cabeças, se você não quiser que seja. Jornalismo é um curso que consigo me ver fazendo, mas eu me preocupo com o que o mercado vai ter a me oferecer quando eu estiver formado: vou viver escrevendo artigos para jornal ou ficar no backstage de uma revista? Ainda que a idéia de ficar até tarde com a equipe comendo pizza e tentando fechar uma edição seja muito legal, não sei como é a vida financeira de um jornalista. Letras é interessante, mas não me vejo professor de qualquer coisa – em que mais um letrado pode servir? Além disso, apesar de eu amar ler, não estou sendo lá um fã da Literatura que estou vendo esse ano, no colégio. Propaganda e Marketing me desperta o interesse, e, segundo o site da UNIC, alcança diversas áreas do mercado e há um alto índice de contratação de bacharelados do curso.

Dos que não constam nesta lista, Desenvolvimento de Websites me parece bom, mas se eu cursá-lo, será apenas quando eu terminar um outro, já que tem a duração de rápidos 5 semestres. Por fim, existe o Agronegócio, que me atrai apenas por ser algo ainda novo aqui em Cuiabá e não contar, ainda, com muitos graduados na área. Como Mato Grosso é um estado movido pela agroindústria, está aí um curso promissor. Meu professor diz que o salário inicial, já logo após a faculdade, gira em torno de R$10.000, mas eu duvido muito – são só dois anos de curso!

Bom, eu tenho ainda esta semana para pensar em alguma coisa. Sei que eu vou fazer apenas um simulado e o que eu marcar nesta lista aí não é nada irreversível – mas apenas por enquanto. Quando eu me inscrever no vestibular, será definitivo. Então vou fazer dessa prova uma preparação não só para o conteúdo quanto também para me preparar para a pressão da escolha de um curso. Melhor escolher agora do que perder fios e mais fios de cabelo daqui a dois anos. Aliás, tenho que conservar o máximo de fios de cabelo quanto possível – a genética prediz o futuro da minha cabeleira como sendo brilhante. Sacou?