O alemão vai embora, o brasileiro emociona. Coincidência?

Outubro 28, 2006

Foi um domingo ensolarado e alardeado pela imprensa de todas as línguas. O motivo – o afastamento definitivo do piloto/mito que atende por Schumacher das pistas que foram por ele tão bem dominadas em 15 anos de uma próspera carreira.

Schumacher passou pela Jordan e Benetton, mas foi no carro vermelho da Ferrari que encontrou sua glória. Em 96 foi contratado para usar o uniforme que não raro figura no pódio pela quantia astronômica de cerca de trinta milhões por ano. Faça a matemática e constatará que são 2.500.000 a mais na conta à cada mês concluído.

Em sua brilhante empresa, Michael participou de 250 Grandes Prêmios, foi o ganhador de 7 campeonatos, passando por 91 vitórias (com 68 pole positions) e 154 aparições no pódio. São números que alguns pilotos de F1 nem almejam em suas mais mesquinhas ambições.

Tudo culminou para uma corrida que deu-se no Autódromo José Carlos Pace, à 22 de Outubro de 2006, na brasileira cidade de São Paulo. Os amigos e parentes de Michael tranquilamente jogavam gamão e o próprio agia como se fosse um dia qualquer – enquanto isso, Galvão Bueno certamente chorava por dentro e alemães já sentiam saudades.

Eis que o nosso herói largou na décima posição e dali cuidou de fazer ultrapassagens ardilosas até que, lá pelas tantas, danificou seu pneu. Até o pit stop, foram vários zunidos atravessando a pista com velocidade, deixando para trás um Schumacher com um pneu desmanchante. Ainda que em séria desvatagem, Michael continuou a corrida, na qual mais e mais segundos o separavam do primeiro colocado. Que era um brasileiro.

Agora o nosso herói era Felipe Massa – o piloto que largou na pole position e manteu seu justo primeiro lugar por quase toda a corrida, enquanto melhorava seu tempo à cada volta e trazia aos espectadores verde-amarelos um sentimento de nostalgia, uma esperança há muito esquecida. Desde a última vitória do saudoso e talentoso Ayrton Senna, em 1993, nenhum outro brasileiro tinha ganhado uma corrida em seu próprio território. Por 13 anos, nossos pilotos foram incapazes de serem celebrados ao som daquela música da Globo que virou segundo hino do nosso país nos tempos de ouro de Senna.

Após uma hora, trinta e um minutos e cinqüenta e três segundos do início da corrida, vimos Massa repetir um gesto conhecido que emocionou muita gente. Enquanto Galvão gritava para quem quisesse ouvir o nome de Felipe e o hino ressurgia, Massa segurava uma bandeira verde e amarela que tremulava ao rápido vento, enquanto lembranças de tempos idos voltavam.

No final das contas, ao menos em terras tupiniqüins o término da carreira de Schumacher como piloto foi motivo de alegria, e a vitória de Felipe um motivo ainda maior. O resultado disso foi exultação para nós brasileiros, e a esperança de que tempos de igual júbilo estejam à frente.

O alemão vai embora, o brasileiro emociona. Teria sido Michael a nossa ovelha negra todo esse tempo, ou isso tudo foi um conveniente acaso, uma feliz coincidência… Serendipitia?

 

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P.S.: Fotos retiradas do site oficial do piloto Felipe Massa; dados coletados na Enciclopédia Livre, Wikipedia.


Viagem sem volta

Outubro 7, 2006

Um, nove, zero, sete. Se você não esteve em uma caverna nestes últimos dias, este número lhe é familiar – trata-se do número do vôo que terminou de forma trágica, com a morte de 154 pessoas que esperavam estar em Manaus pela tarde e em Brasília pela noite. As desventuras desta viagem, infelizmente, foram as piores possíveis e resultaram na queda da aeronave em meio à uma região de selva densa, no norte do estado de Mato Grosso, totalmente inacessível por terra.

Tudo começou quando, às 16h48min do dia 29 de setembro, um Boeing 737-800 da Gol que cumpria a etapa Manaus-Brasília do vôo 1907 perdeu contato radar com a torre e, com isso, 154 pessoas estavam desaparecidas. Logo foi descoberto que a aeronave Legacy conseguira fazer um pouso de emergência em uma base da FAB em São Félix do Xingu/PA após ter se chocado com um outro avião (que seria a aeronave da Gol), saindo da colisão com uma das asas e também a cauda danificadas.

À esquerda, o Boeing 737-800. À direita, o Embraer Legacy.

Enquanto o avião de pequeno porte conseguiu fazer seu caminho até um aeroporto e não lesionar nenhum dos passageiros, o Boeing não teve a mesma sorte. O choque aconteceu a 38000 pés de altitude, e estima-se que o 737 começou a se despedaçar já a 11000 pés, enquanto caía em parafuso. Ao atingir o chão, de bico, o acidente não deixou nenhum sobrevivente.

O mistério que permanece é como o acidente ocorreu, posto que o choque entre duas aeronaves é algo com possibilidades mínimas de acontecer. O avião foi comprado da Embraer pela companhia americana ExcelAire, e especula-se que o piloto do Legacy tenha desligado o transponder (equipamento que emite sinais de radar tanto para identificar outros sinais quanto para ser identificado) para fazer manobras de teste sem avisar o controle aéreo, o que seria comum em ‘primeiros vôos’ dos novos donos. De qualquer forma, segundo o plano de vôo o avião estava suposto a baixar a uma altitude de 36000 pés de altitude na aerovia em que aconteceu o choque, mas isso não aconteceu. Espera-se que todas as perguntas possam ser respondidas após análise das caixas-pretas tanto do Boeing quanto do Legacy.

As buscas por corpos e destroços do avião mobilizaram mais de cem militares, além de helicópteros e aviões. O condicionamento para pouso teve que ser feito por um grupo devidamente qualificado, que abriu clareiras em pontos estratégicos da floresta após caírem no local de pára-quedas. Devido ao estado crítico de mutilação dos passageiros do vôo, o reconhecimento dos corpos irá demorar mais de um mês. Até agora, o número de identificados é de vinte e nove.

As primeiras fotos do incidente já caíram na internet, e são imagens fortes. Este já é o maior acidente aéreo registrado em território Brasileiro, e foi o primeiro que envolveu um Boeing modelo 800 (o mais moderno da linha 737). Aconteceu 10 anos após a trágica morte dos Mamonas Assassinas, e pareceu desencadear mais acidentes.

No dia 2 de outubro, quatro dias após a queda do 1907, um outro avião da Gol passou por apertos – mas desta vez em solo, em um incidente muito menos grave – quando não conseguiu aderência suficiente no pouso sob a chuva e derrapou no aeroporto de Congonhas (São Paulo), deslizando até a grama.

E, no dia seguinte à derrapagem, uma aeronave bimotor supostamente caiu no Maranhão, setenta quilômetros distante de São Luís, matando os três tripulantes por carbonização. A fonte alega que a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) constatou que o avião levava dinheiro e documentos e enviou três agentes para investigar o acidente.

Em adendo, a Gol mudou o número do vôo que faz a rota Manaus-Brasília-Rio de 1907 para 1867, conforme informou a assessoria de imprensa da companhia no domingo dia primeiro.

Fontes: Folha Online, Terra e Wikipedia


Um Anel para a todos governar

Setembro 20, 2006

Queira ou não, a internet é um mundo paralelo ao nosso, em que todos estão (in)diretamente conectados e aptos a interagirem entre si. Nesta grande rede você pode ser quem você quer ser (ou até quem os outros queiram que você seja) e está lançado em um grande campo em que você pode ser apenas mais um transeunte ou hospedar-se em um lugar qualquer e eventualmente construir, à partir daí, uma grande casa, um alto prédio, ou, quem sabe, uma cidade inteira? Tudo depende do quão popular o seu local vai ser, e, conseqüentemente, depende da sua própria popularidade. Neste mundo você pode, mesmo sendo um rapaz raquítico e asmático que não receberia o mínimo de atenção no mundo real. Dissimulado ou não, o seu carisma, a sua habilidade com as palavras, com a câmera digital, com a publicidade e/ou sua criatividade podem te levar à fama em um piscar de olhos. E é exatamente por isso que a rede atrai cada vez mais seguidores.

Internet é informação, e há um fluxo incrivelmente grande disso povoando o espaço que você pode alcançar com rapidez e comodidade sem precedentes na comunicação: basta o apertar de um par de teclas e alguns cliques para acessar um mundo de entretenimento e notícias – que você pode fazer.

Hoje uma boa parcela do planeta Terra navega todo santo dia nesse grande oceano virtual, e nada por horas e mais horas, ou até dias. Às vezes até sem descansar os braços. Quando descobrem a possibilidade de entrar em contato com as mais diversas culturas, linguagens e credos, informar-se sobre qualquer conteúdo, ver qualquer tipo de imagem, qualquer tipo de vídeo, o neo-internauta começa a achar que o dia deveria ter mais que 24 horas e que colégio ou trabalho simplesmente não deveriam existir. A internet te seduz como O Anel do conto de Tolkien, e, bem como o artefato de ouro que muda de tamanho e peso constantemente, pode te prover tantos benefícios quanto pode te trazer conseqüências.

Com tantas possibilidades, é normal e até previsível que você comece a se envolver com uma parcela cada vez maior da internet, passando a criar blogs, flogs, abrindo ou participando de fóruns, lendo ou contribuindo com sites de notícias, colaborando com encilopédias virtuais, desenhando layouts, desenvolvendo websites… entre muitas outras coisas. Quanto mais você se envolve, menos você consegue discernir suas prioridades e menos tempo você encontra para as outras coisas. É o mesmo que estar em um sono bom, debaixo do cobertor em um dia de frio e ignorar seu despertador ou atrasá-lo mais um pouco – assim como dormir, navegar na internet é prazeroso e vai fazer você adiar desde afazeres domésticos nada legais até a satisfação de necessidades fisiológicas. Tome cuidado, a web é insidiosa. Além de te fazer chegar atrasado em reuniões ou esquecer daquele encontro, ela pode te enganar em muitos aspectos – e é preciso tomar alguns cuidados com ela.

Eu, por exemplo, já sustentei vários vícios na internet, que pareciam pequenos mas na verdade não era nada disso. Por exemplo, eu costumava verificiar muitos sites de notícias, e lia tudo o que vinha pela frente. Demorou até que eu percebesse que o fluxo de informação não me obrigava a ler tudo, mas era eu mesmo que me compelia a ficar à par de novidades acerca de tantos assuntos sob muitas perspectivas (fontes) diferentes. No final das contas, eu acabava fazendo leituras muito superficiais, e percebi que elas não são boas – apenas dificultam o processo de absorção e muitos vezes não acrescentam em nada. Passam batidas.

Vá por mim, não faça do monitoramento de notícias um hábito, não saia lendo toda e qualquer coisa que apareça. Evite assinar muitos feeds!

E encare isso: à partir do momento que você já se informou sobre tudo o que queria, já conversou até sobre o que não devia através de um mensageiro instantâneo, já checou seu e-mail e enviou correntes para todos os seus amigos, já comentou em blogs, flogs, opinou em fóruns, atualizou sua página, e não tem mais nada de interessante para fazer na internet, não fique clicando no “Atualizar” para monitorar seus comentários ou as notícias, simplesmente saia da internet por alguns instantes, que seja! Leia um livro, socialize pessoalmente, divirta-se com algum jogo, faça aquilo que você adiou por tanto tempo. Tenha em mente que qualquer coisa importante que apareça enquanto você estiver ausente vai continuar e você vai poder ver de qualquer computador decente (leia “de qualquer computador conectado à rede”).

A internet está ao seu dispor e deve existir em sua função – e não o contrário. Use-a bem e mantenha o uso saudável e, por fim, lembre-se que o computador é como O Anel mas você não é o Frodo – então não saia em jornada com uma comitiva para jogá-lo na Fenda da Perdição, certo?