Lula! De novo…

Outubro 29, 2006

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Cento e vinte e cinco milhões, novecentos e treze mil, quatrocentos e setenta e nove. Este é o número de eleitores espalhados ao longo dessa terra tropical que chamamos de Brasil. Segundo nosso exímio presidente, que viajou o mundo todo às nossas custas em sua próspera gestão, o Brasil é um país emergente, que tem uma forte economia, uma população beneficiada com a educação, livre de problemas dos “países subdesenvolvidos” como a subnutrição e miséria. Em síntese, para Luís Inácio Lula da Silva (que, engraçadamente, não tem qualificação para ser catador de lixo mas pode concorrer ao cargo de Presidente da República) acredita firmemente que vivemos em um país alegre que beira a perfeição desejada.

Ora, só levam dois neurônios e um par de olhos para perceber que a fantasia de Lula não passa disso. Em rede nacional foram expostos políticos de corrupção inigualável, envolvidos em incontáveis escândalos que eu nem consegui acompanhar. É mensalão daqui, dossiês dali, longas declarações que podem ser sintetizadas em “Eu não sabia de nada – a parede entre os nossos escritórios não é tão fina!” e uma suposta insatisfação popular generalizada.

A maioria da população trabalha árduamente de segunda à segunda, luta para colocar comida todos os dias em sua mesa e no final do mês ainda paga impostos absurdos. É uma camada pobre, sofrida, excluída, não-beneficiada. Mas aí chegam as eleições presidenciais e sempre aparece aquele homem que tira fotos com crianças desnutridas, diz que já passou por todos os problemas imagináveis – incluindo desgraças como a fome, enchente, desemprego e o diabo à quatro – e promete que tudo vai melhorar, vai ficar uma maravilha. E então, os pobres que têm o Bolsa Escola, vão todos os dias à aula, têm uma educação social, sorriem lisonjeados e balançam a cabeça em efusiva aprovação. É assim que gente como o Lula é eleita.

Encaremos: nós vivemos em um país que era explorado pela Europa antes mesmo de oficializar-se, que é conhecido mundialmente por causa de samba e mulheres, que reelegeu Fernando Henrique Cardoso, que fez senador um homem que já sofreu um impeachment presidencial e que muito recentemente deu a um ex-sindicalista reformado uma nova oportunidade.

Ele já foi pobre, já esteve lado a lado com revoltados, já protestou com o proletariado, é o queridinho daqueles que hoje são o que ele outrora foi.

Sem eufemismos, a maioria da nossa população é burra. A maioria dos brasileiros não tem estudo, não é crítico, e comumente troca o seu voto – que vai refletir nos próximos quatro anos – por uma cesta básica que vai durar por um mês, no máximo. E é exatamente essa maioria que define as eleições!

É assim que nosso “novo” presidente não tem nada de novo – e nem vai ter. O Lula que governou de 2002 até 2006 é o mesmo Lula que vai cotinuar governando até 2010. Não sou Nostradamus, mas garanto que vamos ver no Jornal Nacional o Lula fazendo visitas na China, na Índia, no Alasca e no quinto dos infernos, assim como ouviremos dele quando ele fraturar a perna, apertar a mão de presidentes estrangeiros ou carregar uma criancinha no colo. E não esqueça de adicionar aí novos escândalos políticos dos quais ele não vai saber de nada!

Com a força do povo, é Lula de novo. E também graças à essa força agora eu tenho certeza: o Brasil não tem mais jeito, e vai continuar pedindo bis a governos medíocres e rejeitando toda e qualquer oportunidade de mudança que se apresente.

Dizem por aí que cada povo tem o governo que merece. Parabéns pela força, povo do Brasil!

E que na próxima encarnação eu nasça em outro lugar.


O alemão vai embora, o brasileiro emociona. Coincidência?

Outubro 28, 2006

Foi um domingo ensolarado e alardeado pela imprensa de todas as línguas. O motivo – o afastamento definitivo do piloto/mito que atende por Schumacher das pistas que foram por ele tão bem dominadas em 15 anos de uma próspera carreira.

Schumacher passou pela Jordan e Benetton, mas foi no carro vermelho da Ferrari que encontrou sua glória. Em 96 foi contratado para usar o uniforme que não raro figura no pódio pela quantia astronômica de cerca de trinta milhões por ano. Faça a matemática e constatará que são 2.500.000 a mais na conta à cada mês concluído.

Em sua brilhante empresa, Michael participou de 250 Grandes Prêmios, foi o ganhador de 7 campeonatos, passando por 91 vitórias (com 68 pole positions) e 154 aparições no pódio. São números que alguns pilotos de F1 nem almejam em suas mais mesquinhas ambições.

Tudo culminou para uma corrida que deu-se no Autódromo José Carlos Pace, à 22 de Outubro de 2006, na brasileira cidade de São Paulo. Os amigos e parentes de Michael tranquilamente jogavam gamão e o próprio agia como se fosse um dia qualquer – enquanto isso, Galvão Bueno certamente chorava por dentro e alemães já sentiam saudades.

Eis que o nosso herói largou na décima posição e dali cuidou de fazer ultrapassagens ardilosas até que, lá pelas tantas, danificou seu pneu. Até o pit stop, foram vários zunidos atravessando a pista com velocidade, deixando para trás um Schumacher com um pneu desmanchante. Ainda que em séria desvatagem, Michael continuou a corrida, na qual mais e mais segundos o separavam do primeiro colocado. Que era um brasileiro.

Agora o nosso herói era Felipe Massa – o piloto que largou na pole position e manteu seu justo primeiro lugar por quase toda a corrida, enquanto melhorava seu tempo à cada volta e trazia aos espectadores verde-amarelos um sentimento de nostalgia, uma esperança há muito esquecida. Desde a última vitória do saudoso e talentoso Ayrton Senna, em 1993, nenhum outro brasileiro tinha ganhado uma corrida em seu próprio território. Por 13 anos, nossos pilotos foram incapazes de serem celebrados ao som daquela música da Globo que virou segundo hino do nosso país nos tempos de ouro de Senna.

Após uma hora, trinta e um minutos e cinqüenta e três segundos do início da corrida, vimos Massa repetir um gesto conhecido que emocionou muita gente. Enquanto Galvão gritava para quem quisesse ouvir o nome de Felipe e o hino ressurgia, Massa segurava uma bandeira verde e amarela que tremulava ao rápido vento, enquanto lembranças de tempos idos voltavam.

No final das contas, ao menos em terras tupiniqüins o término da carreira de Schumacher como piloto foi motivo de alegria, e a vitória de Felipe um motivo ainda maior. O resultado disso foi exultação para nós brasileiros, e a esperança de que tempos de igual júbilo estejam à frente.

O alemão vai embora, o brasileiro emociona. Teria sido Michael a nossa ovelha negra todo esse tempo, ou isso tudo foi um conveniente acaso, uma feliz coincidência… Serendipitia?

 

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P.S.: Fotos retiradas do site oficial do piloto Felipe Massa; dados coletados na Enciclopédia Livre, Wikipedia.


Perfeição-ilusão

Outubro 21, 2006

Rostos lisos, sem quaisquer rugas ou marcas, tomam conta não só de outdoors ou capas de revistas, mas também fazem parte dos almejos de muitas mulheres e homens. Caixas de cosméticos, propagandas, filmes… a face perfeita está retratada em todos os cantos inalcançáveis para a maioria das pessoas. Mas nem tudo é de verdade – a beleza impecável é um faz de conta.

 

 

Cosméticos milagrosos, luzes bem aplicadas e um tratamento profissional no Photoshop – procurava em todo lugar pelo segredo da perfeição? Ei-lo!

E, se você entende de inglês ou alemão, recomendo a leitura desta página, que é o resultado de uma pesquisa séria e bem elaborada acerca de simetria e beleza. No mínimo, interessante!


Google adquire YouTube

Outubro 10, 2006

Ainda hoje um burburinho virtual começou, relacionado à possibilidade da compra do YouTube pelo Google, e não muito tempo atrás o rumor foi confirmado. Deve ser um recorde de tempo na mudança da qualidade de uma notícia de ‘rumor’ para ‘fato’!

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A maior comunidade virtual de vídeos foi comprada por uma das maiores e mais influentes empresas na internet por uma modicíssima quantia de dez dígitos. Para ser mais exato, estamos falando de 1.65 bilhão de dólares. Como notificado no press release “suprahipercitado”, a finalização da compra é esperada ainda neste último quarto do ano, quando serão anunciados os maiores detalhes (como a parcela das ações envolvidas no negócio etc.).

O Google certifica de que, mesmo após o oficial término da aquisição, o YouTube continuará com a sua marca, reforçando e complementando o seu próprio negócio de vídeos – o Google Video.

Senhoras e senhores, vocês testemunham mais um passo da Corporação Google na dominação do mundo!


Viagem sem volta

Outubro 7, 2006

Um, nove, zero, sete. Se você não esteve em uma caverna nestes últimos dias, este número lhe é familiar – trata-se do número do vôo que terminou de forma trágica, com a morte de 154 pessoas que esperavam estar em Manaus pela tarde e em Brasília pela noite. As desventuras desta viagem, infelizmente, foram as piores possíveis e resultaram na queda da aeronave em meio à uma região de selva densa, no norte do estado de Mato Grosso, totalmente inacessível por terra.

Tudo começou quando, às 16h48min do dia 29 de setembro, um Boeing 737-800 da Gol que cumpria a etapa Manaus-Brasília do vôo 1907 perdeu contato radar com a torre e, com isso, 154 pessoas estavam desaparecidas. Logo foi descoberto que a aeronave Legacy conseguira fazer um pouso de emergência em uma base da FAB em São Félix do Xingu/PA após ter se chocado com um outro avião (que seria a aeronave da Gol), saindo da colisão com uma das asas e também a cauda danificadas.

À esquerda, o Boeing 737-800. À direita, o Embraer Legacy.

Enquanto o avião de pequeno porte conseguiu fazer seu caminho até um aeroporto e não lesionar nenhum dos passageiros, o Boeing não teve a mesma sorte. O choque aconteceu a 38000 pés de altitude, e estima-se que o 737 começou a se despedaçar já a 11000 pés, enquanto caía em parafuso. Ao atingir o chão, de bico, o acidente não deixou nenhum sobrevivente.

O mistério que permanece é como o acidente ocorreu, posto que o choque entre duas aeronaves é algo com possibilidades mínimas de acontecer. O avião foi comprado da Embraer pela companhia americana ExcelAire, e especula-se que o piloto do Legacy tenha desligado o transponder (equipamento que emite sinais de radar tanto para identificar outros sinais quanto para ser identificado) para fazer manobras de teste sem avisar o controle aéreo, o que seria comum em ‘primeiros vôos’ dos novos donos. De qualquer forma, segundo o plano de vôo o avião estava suposto a baixar a uma altitude de 36000 pés de altitude na aerovia em que aconteceu o choque, mas isso não aconteceu. Espera-se que todas as perguntas possam ser respondidas após análise das caixas-pretas tanto do Boeing quanto do Legacy.

As buscas por corpos e destroços do avião mobilizaram mais de cem militares, além de helicópteros e aviões. O condicionamento para pouso teve que ser feito por um grupo devidamente qualificado, que abriu clareiras em pontos estratégicos da floresta após caírem no local de pára-quedas. Devido ao estado crítico de mutilação dos passageiros do vôo, o reconhecimento dos corpos irá demorar mais de um mês. Até agora, o número de identificados é de vinte e nove.

As primeiras fotos do incidente já caíram na internet, e são imagens fortes. Este já é o maior acidente aéreo registrado em território Brasileiro, e foi o primeiro que envolveu um Boeing modelo 800 (o mais moderno da linha 737). Aconteceu 10 anos após a trágica morte dos Mamonas Assassinas, e pareceu desencadear mais acidentes.

No dia 2 de outubro, quatro dias após a queda do 1907, um outro avião da Gol passou por apertos – mas desta vez em solo, em um incidente muito menos grave – quando não conseguiu aderência suficiente no pouso sob a chuva e derrapou no aeroporto de Congonhas (São Paulo), deslizando até a grama.

E, no dia seguinte à derrapagem, uma aeronave bimotor supostamente caiu no Maranhão, setenta quilômetros distante de São Luís, matando os três tripulantes por carbonização. A fonte alega que a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) constatou que o avião levava dinheiro e documentos e enviou três agentes para investigar o acidente.

Em adendo, a Gol mudou o número do vôo que faz a rota Manaus-Brasília-Rio de 1907 para 1867, conforme informou a assessoria de imprensa da companhia no domingo dia primeiro.

Fontes: Folha Online, Terra e Wikipedia


Do YOU speak English? [level 1]

Outubro 7, 2006

Em uma época de “honeys” e “darlings” excessivos, muita gente acha que sabe falar inglês mas está totalmente enganada. Pensando nestas pessoas que ficam muito incertas quando vão usar algum termo em inglês é que esta mini-coluna foi criada, na qual esclarecerei desde o que é certo e o que é errado para os iniciantes até dicas de escrita para os mais experientes com a língua. Enjoy!

TODAY’S LEVEL: Barely a beginner

Question: Quando eu me refiro ao desenho de um site, de um carro, de uma construção ou de qualquer outra coisa, está certo eu dizer designer?

Answer: Está aí um erro muito comum. Se você é um homem e diz isso referindo-se ao desenho, shame on you. Quando você diz que “o designer é muito bonito”, você não está elogiando o trabalho do projetista, mas sim o próprio homem. Para evitar constrangimentos futuros, saiba: o designer é quem faz o desenho, enquanto o resultado do trabalho dele é o design. Então…

“Olha só que celular legal, o designer design ficou muito bonito!”.

V O C A B U L A R Y
answer s. resposta; resultado // v. responder; replicar; comparecer.
barely adv. dificilmente, raramente, muito pouco, quase que não, nem mesmo.
beginner: s. iniciante, amador.
darling: s. querido, bem-amado. // adj. encantador.
design: v. projetar, desenhar; planejar, engajar-se em, bolar // s. plano; desenho, esboço; propósito, objetivo.
designer: s. desenhista, esboçador; programador, aquele que tem iniciativas // adj. de marca, de grife.
honey: s. mel; querido; meu bem, meu amor (apelido carinhoso) // adj. de mel; doce.
level: adj. plano, reto; igual; equilibrado; horizontal; de mesmo nível // v. aplanar, nivelar; balancear, igualar; destruir, derrubar, apontar, mirar (armas, etc.); ser franco; usar um nível // s. plano, igual; uniforme; direto, reto, liso; raso; nivelado; nível.
question: s. questão; pergunta; problema; assunto; controvérsia; debate; dúvida // v. perguntar; interrogar; examinar; duvidar; discutir; recusar.
shame on you! interj. o mesmo que “tenha vergonha!”.

Definições retiradas do dicionário eletrônico Babylon